Coletânea

JANELAS DO UNI-VERSO



Bandarra e o Quinto Império

                                                      por Delmar Domingos Carvalho



A Humanidade tem vivido e evoluído com mitos e símbolos.

Ao longo de miríades de anos quantos não foram criados nas mais diversas culturas orientais, ocidentais, uns permanecendo; outros, morrendo...; outros modificaram-se.

Estamos no século XXI em que pensa-se que vivemos sob um certo realismo científico, um determinado desenvolvimento do conhecimento que menospreza os mitos e símbolos e ao mesmo tempo vai criando outros, de pés de barro, outros cheios de materialismo caótico e de foguetes de artifício, à beira de caírem no lodaçal da porcaria que criaram.

Contudo, se analisarmos com mente aberta, livre, o que se passa por toda a parte, mais nuns continentes do que noutros, os mitos, os símbolos, as ficções estão voltando com mais vigor.

“O sonho comanda a vida”.

Portugal é dos países com mais mitos, símbolos, e ao mesmo tempo é um dos que tem contribuído para derrubar os mitos que amedrontavam a Humanidade desde o gigante adamastor até à fogueira do inferno!

Membros das Ordens dos Templários, da Ordem de Cristo, e até mesmo de Cister e de Calatrava espalharam a Luz, libertaram muitas mentes das pseudociências e de dogmas e fanatismos, dos senhores das trevas. Por isso, foram perseguidos, mortos.

Dominado pelos senhores das trevas, tem lutado, e na medida em que o império de Roma está à beira de cair, a libertação é cada vez mais profunda e como diria Pessoa: Bandarra e o Quinto Império darão nova força e nova vida de modo a que Portugal cumpra a sua missão e com ele todos os povos da lusofonia, incluindo os que falam português como segunda língua, os que a amam e os seus povos, rumo a uma nova civilização visualizada pelo sapateiro de Trancoso, Bandarra, seja nome individual ou coletivo, divulgada e cantada pelo Padre António Vieira, Fernando Pessoa, Agostinho da Silva e tantos outros.

A Hora está cada vez mais próxima, e então Portugal se libertará das inquisições e das manipulações que têm procurado aprisioná-lo, dominado por estrangeirados incluindo instituições que vieram do exterior e que são responsáveis pelo nosso atraso.

 

O sapateiro de Trancoso existiu, ou é mais um Fuas Roupinho?

Como é que um sapateiro tinha tão elevada cultura?

Joana d’Arc nada sabia de táticas militares, contudo comandou o exército do seu país, a França, salvando-o; não foram os generais, foi ela!

Depois, a inveja, o orgulho ferido de várias pessoas bem colocadas, não merecedoras dos lugares que ocupavam, acabou por ser perseguida pelos inquisidores, morta na fogueira, em que o povo, com facilidade se deixa dominar pelos falsos libertadores, não esteve a seu lado. Mais tarde, foi canonizada! Nem merece comentários, apenas que as pessoas aprendam de uma vez para sempre e jamais se deixem enganarem.

Jacob Boehme, sapateiro na cidade de Goerlitz, na Silésia, escreveu diversos trabalhos cheios de luz profunda, que revelam uma rara sabedoria que os professores universitários de então não tinham!

Lembremos que a sua obra Aurora Nascente, foi uma das fontes da maravilhosa ópera A FLAUTA MÁGICA, de Mozart.

Por isso, sabedoria é a luz de pessoas muito evoluídas; conhecimento é produto escolástico, cujo valor é relativo.

Voltando a Bandarra, fala algo sobre ti, sobre o que é escreveste, pois há muitos torvas posteriores! Sendo assim a tua obra será coletiva...

– Muitas pessoas apenas sabem algo sobre mim, por meio do processo da monstruosa inquisição, devido a vários motivos desde pensarem que era judeu, tinha muitos amigos entres os hebreus numa zona onde eles eram senhores e contribuíram para o progresso deste bela e histórica região, até certas trovas que apontam para o fim da sua Instituição. – esclareceu Bandarra.

– E continuando, afirma que deixou escritas algumas trovas que foram ao papel depois da ordem que recebi, profundamente censória, e optei pelo silêncio tanto mais que estava perto o meu nascimento para os planos superiores. Por outro lado e como se sabe fui perseguido, precisamente, quando o inquisidor João III, não merece ser tratado por Dom, muito menos por piedoso, ele foi o oposto, mandou entrar em Portugal a inquisição, anticristã e os jesuítas. Se Portugal já estava a ficar adormecido, cristalizado, a partir daqui foi um enterro quase geral. – rematou.

– Nesse caso, Portugal já estava a caminho de perder a sua independência, e com Sebastião e pior ainda com Henrique, o casto, afundámos, perdendo as pessoas mais cultas, mais empreendedoras, mais inovadoras. – defendeu Rosâmide.

– Com tristeza, assisti a tudo isso dos mundos superiores. Falou que o Cardeal Henrique era casto! Deus é que sabe, há muitos que não casam, mas isso não quer dizer que sejam castos; por vezes têm pensamentos e emoções luxuriosas muito inferiores, pior até que muitos animais.– esclareceu.

– Eu casei e tive filhos, acrescentou.

– Quem como tu, Bandarra enalteceu Portugal e profetizou grandes feitos quando chegar a Hora? Forte nome é Portugal,/ Um nome tão excelente,/...

Portugal é nome inteiro,/ Nome de macho se queres:/... e mais à frente: –

Todo o mundo terá um amor,/Gentios como pagãos, / Os Hebreus serão Cristãos,/

Sem jamais haver error./ Servirão um só Senhor/ Jesus Cristo... e logo a seguir: Tudo quanto aqui se diz,/ Olhem bem as Profecias/ De Daniel e Jeremias, / Perderam-nas de raiz.- lembrou Rosâmide, que continua a sua opinião: – Aqui estás profetizando o V Império, silenciaram-te, mas o teu trabalho foi ainda mais enaltecido, incluindo logo na restauração, para novamente, ser colocado no holocausto das obras proibidas dos inquisidores.

Até que com Padre António Vieira, o Imperador da língua portuguesa, como escreveu magistralmente Fernando Pessoa, as tuas profecias são erguidas e colocadas entre as obras mais prestigiadas.

– Acho que faremos bem, dar a palavra ao meu grande amigo Padre António Vieira, que também foi vítima dos inquisidores, apesar de ser sacerdote jesuíta, mas era só por fora, no seu interior era um verdadeiro e raro seguidor de Cristo.– opinou Bandarra.

– Plenamente de acordo e logo a seguir Fernando Pessoa e finalmente Agostinho da Silva.- concluiu Rosâmide.

– E muitos outros, mais ou menos desconhecidos, não anónimos, porque cada pessoa tem um nome.- concluiu Bandarra.

 

Padre António Vieira é uma das grandes figuras da história da humanidade. A sua obra fala por si, cada pessoa é livre de escolher, mas perder tempo e dinheiro na maioria dos romances e de outras obras cujo conteúdo só prejudica a mente do leitor ou leitora, muito embora possam ter venda aos milhares, a propaganda manipula, seria muito mais vantajoso para cada qual, para Portugal, para a Lusofonia e para todo o mundo, se lermos as obras deste “varão assinalado”.

Também a sua vida é um hino ao amor universal, à tolerância, à defesa dos mais fracos e perseguidos, da justiça, da cultura, da paz, por isso ele é chamado e muito bem o apóstolo dos índios, quando alguns doutos senhores defendiam que eles não tinham alma!

 

Fernando Pessoa, na sua obra Mensagem, elogia António Vieira, ele surge como um dos que muito contribuiu para a lusofonia, que fez descer a luz do céu até ao mundo físico. Muitos outros o têm dignificado, colocado num pedestal, como têm contribuído para que a sua vida e obra seja conhecida.

Na História do Futuro (II) Padre António Vieira esclarece a sua douta investigação sobre as profecias de Daniel, constantes no texto bíblico, já referidas por Bandarra; depois de focar os quatro impérios anteriores, de esclarecer as suas ligações avança rumo ao Quinto Império do Mundo que irá seguir ao romano, será o Império de Cristo e dos Cristãos que vai ser concretizado neste Mundo Físico e não no outro. Se será espiritual ou temporal Vieira defende que será espiritual e temporal juntamente. Em nossa opinião será expressão do plano cósmico universal, será o Reino de Cristo que é a vivência da Fraternidade Universal, neste mundo físico.

Nas diversas perguntas inseridas em sua obra Vieira responde que o império de Cristo será mais perfeito, terá outro estado, e não o que existia e existe, no qual haverá paz universal.

A seguir esclarece que em sua opinião esse Reino estará ligado a Portugal e será governado de acordo com uma profecia de Bandarra...

Ambos focam as profecias de Daniel. Quem foi Daniel? É considerado como um dos profetas maiores da tribo de Judá, que foi deportado para a Babilónia onde esteve na corte de Nabucodonosor. Aqui manteve-se fiel aos seus ideais, incluindo o da filosofia vegetariana, nada de vinho ou carnes. Nas suas profecias ele foca o reino eterno do Messias depois de a Humanidade atravessar os quatro impérios.

Por sua vez Pessoa baseia o seu Quinto Império em Bandarra, afirmando que o futuro de Portugal está escrito nas trovas do Bandarra e também nas profecias de Nostradamus. E esse futuro é sermos tudo.

Nostradamus é um dos profetas mais conhecido. As suas centúrias estão cheias de visões, mas tal como nas de Bandarra também aqui outras foram acrescentadas e tudo isso causa confusão e não só.

Para Pessoa, o coração de Bandarra é Portugal.

Neste caso, Pessoa está concordando com as palavras de Bandarra: A missão de Portugal é levar a paz a todo o mundo. Penso que Portugal está como símbolo da Lusofonia.

– Mas, Pessoa esclarece outros campos que estão mais ou menos obscuros?- pergunta Rosâmide.

– Sim ele afirma que a vida que é a Rosa... A Rosa que é Cristo/ como e a do Encoberto. Noutra passagem, Pessoa afirma: A cruz abrirá em Flor. – responde o Encoberto.

 

Embora muitos outros podíamos focar, defensores do Quinto Império, apresentaremos algumas ideias e alguns ideais de Agostinho da Silva.

Este metafísico, livre-pensador, crente nesta utopia, tem uma visão diferente. Ele baseia-se mais nas três idades: a do Pai, do Filho e do Espírito Santo, esta que caberá a Portugal, ou melhor, à lusofonia a sua concretização, lusofonia onde todas as etnias têm a sua função.

Para este filósofo o V Império baseia-se na transformação interna de cada pessoa, de deixar falar e trabalhar a sua criança interna, livre e libertadora, que criará um sistema universalista sob leis universais, sem subordinações, em que o ter acabará, para haver uma vivência fraternal.

Agostinho da Silva aponta para o império do Espírito Santo, o Governo mundial da paz entre todas as pessoas, em que haverá igualdade e fraternidade.

 

Em minha opinião, a utopia leva-nos a sonhar em algo positivo, de melhor para o porvir. Nesse campo é benéfica.

Ao analisarmos as diversas teorias aqui, sucintamente apresentadas, sobre o V Império, vemos com facilidade que há faces diversas sobre ela.

É uma verdade que a Verdade tem sete faces.

Sei que está muito em voga dividir os três grandes períodos da evolução da Humanidade após esta ter recebido a mente, o maná do texto bíblico, man, homem pensante, começando pelo Pai e terminando pelo Espirito Santo.

Não defendo este caminho evolutivo!

E porquê?

Vejamos o Antigo Testamento, em que o culto é o do Javé, ou seja do Espírito Santo; depois vem os ensinamentos do Filho, Cristo, e a seu tempo, muito mais à frente, vamos receber novo e superior impulso, os ideais e planos do Pai. Esta teoria tem lógica, pois na medida em que a Humanidade vai evoluindo, ela necessita de ensinamentos mais elevados, de acordo com o seu grau de desenvolvimento mental e espiritual. Terá lógica receber inicialmente ensinamentos do Pai e por fim do Espírito Santo que é o mais alto iniciado dos anjos, enquanto, Cristo é dos arcanjos e o Pai dos Senhores da Mente, seres muito mais evoluídos?

Quanto ao Quinto Império e a sua ligação a Portugal, defendo que será à Lusofonia numa mistura de povos, de culturas, de tradições, que vão ser unidas para criarem uma cultura universalista, tanto mais que o nosso idioma encerra uma cultura pansófica, que será confiada.

 

A Idade do Aquário somente chegará em sua plenitude, no ano 2 658, e ao longo do seu ciclo de 2 160 anos as mutações dentro do ser humano e no exterior serão incomensuráveis.

Até lá vamos ter profundas mudanças, será que o V Império se irá formando nesta fase?

E ao longo da Idade do Aquário em que os povos eslavos têm uma missão a cumprir nessas profundas mutações, a Lusofonia estará unida a esta dinâmica, tanto mais que a pronúncia do português é algo parecida à do idioma russo?

Com a entrada na Idade do Capricórnio, daqui a três mil anos em números redondos, tudo leva a crer que Cristo voltará, embora ninguém saiba o dia, nem a hora.

Sendo, assim, o Seu Reino que como Ele disse não era deste mundo, ou seja, deste estado de coisas, estado esse que ainda está algo longínquo, será então uma realidade, a vivência da Fraternidade Universal sob a égide de uma só lei: A DO AMOR.

Então sim a Humanidade viverá em comunhão de bens, por sua livre vontade, a ciência como as artes serão espiritualizadas, e as religiões serão unidas numa só, a do Amor.

Todas estas faces da Verdade e outras que existirão expressam, no fundo, as grandes aspirações dos seres humanos em retornarem a viver num novo Éden, em fazer descer os Céus à Terra.

 

Sobre este campo o que é que ele nos poderá esclarecer?

 

[ JANELAS DO UNI-VERSO ]